Informe sobre a situação da Febre Hemorrágica do Ebola

Informe sobre a situação da Febre Hemorrágica do Ebola

O Núcleo de Vigilância Hospitalar (NVH) do IFF, através da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH),  Comissão de Biossegurança e Núcleo Hospitalar de Epidemiologia (NHE) apresenta informações técnicas sobre a Febre Hemorrágica do Ebola para fins de orientações e ações de vigilância.

A Fiocruz informa que vem trabalhando juntamente com a SVS/MS e que está capacitada para fazer o diagnóstico do vírus  e dar a atenção necessária ao paciente, caso a infecção seja introduzida no Brasil. A unidade da Fundação que estará à frente de uma ação com o paciente é o Instituto Nacional de Infectologia (INI),  unidade hospitalar científica especializada em doenças infecciosas.

 

Histórico e momento atual

O vírus Ebola foi identificado pela primeira vez em 1976, no Zaire (atual República Democrática do Congo), e, desde então,  tem produzido vários surtos no continente africano. Esse vírus foi transmitido para seres humanos que tiveram contato com sangue,  órgãos ou fluidos corporais de animais infectados, como chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinhos.
Existem cinco espécies de vírus Ebola (Zaire ebolavirus, Sudão ebolavirus, Bundibugyo ebolavirus, Reston ebolavirus e Tai Forest ebolavirus),  sendo o Zaire ebolavirus o que apresenta a maior letalidade, geralmente acima de 60% dos casos diagnosticados.

No atual momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem chamado a atenção para a persistência de um surto em países  da região ocidental da África, que acomete Libéria, Guiné e Serra Leoa. Este é o mais extenso e duradouro surto  de febre hemorrágica por Ebola já identificado no mundo, com uma letalidade de 68%.

Pelas características da transmissão do vírus Ebola, é considerada improvável uma disseminação para outros continentes.
A transmissão fora dos países africanos afetados se dá apenas por contato de seres humanos com fluidos de pessoas infectadas.
Nos países de origem do vírus, a transmissão pode ser feita por animais silvestres ou animais domesticados para consumo.
Por isso existe um alto índice de infecção nesses países. O vírus do ebola não se propaga como o vírus da gripe (pelo ar) ou por  um vetor como o mosquito e o vírus da dengue. A população não precisa se alarmar ou temer maiores riscos.

Entretanto, pode ocorrer a detecção, em qualquer país do mundo, de casos em viajantes provenientes de países com transmissão.
Nessa situação, se o passageiro apresentar os sintomas durante a viagem, a equipe de bordo aplica as normas internacionais vigentes,  visando a proteção dos outros passageiros, e informa às autoridades sanitárias no aeroporto ou porto de destino para a remoção e transporte do paciente ao hospital de referência, em condições adequadas.

No caso do viajante realizar a viagem durante o período de incubação e só apresentar os sintomas depois da chegada ao país de destino,  o serviço de saúde que for procurado deverá notificar imediatamente o caso para a Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde ou à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

 

PERÍODO DE INCUBAÇÃO

1 a 21 dias

 TRANSMISSÃO

A transmissão só se inicia após o aparecimento dos sintomas e se dá por meio do contato direto com sangue, tecidos ou fluidos corporais de indivíduos e/ou animais infectados ou do contato com superfícies e objetos contaminados.

 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Febre Tifóide, Shiguelose, Cólera, Leptospirose, Peste, Ricketsiose, Febre Recorrente, Meningite, Hepatite e outras febres hemorrágicas.

DEFINIÇÃO DE CASO SUSPEITO 

Considerando a atual situação epidemiológica, será considerado caso suspeito de infecção por Ebola:

Indivíduo procedente, nos últimos 21 dias, de país com transmissão atual de Ebola (Libéria, Guiné e Serra Leoa) que apresente febre de início súbito, podendo ser acompanhada de sinais de hemorragia, como: diarreia sanguinolenta, gengivorragia, enterorragia, hemorragias internas, sinais purpúricos e hematúria.

Em viajantes ou profissionais de saúde provenientes desses países e que apresentem história de contato com pessoa doente, participação em funerais ou rituais fúnebres de pessoas previamente doentes ou contato com animais doentes ou mortos, a suspeita deve ser reforçada.

 CASO CONFIRMADO

Caso suspeito com resultado laboratorial conclusivo para Ebola a ser realizado em Laboratórios de Referência.

Obs: Os laboratórios públicos (federal, estadual ou municipal – incluindo os das universidades públicas) ou privados não devem tentar realizar as técnicas de isolamento viral, já que as mesmas somente podem ser realizadas em laboratórios dotados de ambiente NB4.

 MEDIDAS A SEREM ADOTADAS DIANTE DE UM CASO SUSPEITO

· Isolamento do caso suspeito em quarto privativo;

· Os profissionais de saúde encarregados do atendimento ao paciente  devem utilizar as         seguintes medidas de biossegurança: uso de  máscaras N-95, proteção facial, jalecos de manga comprida, luvas e aventais resistentes a fluidos ou impermeáveis;

· Limpeza adequada de superfícies e objetos no quarto do paciente;

· Quando possível, utilizar material exclusivo para o paciente;

· Evitar contato com o sangue e fluidos corporais dos pacientes;

· Acompanhamento de contactantes;

· Coletar amostras para o diagnóstico etiológico para Laboratório de Referência;

· Seguir, rigorosamente, as medidas de prevenção e controle de IRAS (Infecção Relacionada à Assistência à Saúde) já estabelecidas pela ANVISA.

 COLETA DE AMOSTRA LABORATORIAL

A coleta e processamento da amostra devem ser realizados de modo asséptico, com o técnico responsável pela colheita protegido com Equipamentos de Proteção Individual (EPI) específicos para precaução de contato: óculos, máscara (ou protetor facial), jalecos descartáveis com manga comprida e luvas.

Os materiais usados para a coleta e transporte, incluindo os EPIs usados pelo operador, tubos e agulhas para coleta, devem ser autoclavados antes de serem descartados para incineração (descartáveis) ou esterilizados (não descartáveis).

 TIPO DE AMOSTRA

· Sangue para obtenção do soro – (5ml a 10 ml obtidos em coleta por sistema a vácuo).      Não é necessário, na fase aguda, separar o soro do sangue, procedimento que pode aumentar significativamente o risco de infecção acidental.
É obrigatório o uso de sistema de coleta de sangue a vácuo com tubos plásticos secos estéreis selados.

· Fragmento de vísceras – nos casos de óbitos em que não se tenha obtido o sangue, fragmentos de vísceras deverão ser colhidos, adotando-se os mesmos cuidados de proteção ao profissional de saúde. A necropsia só deve ser realizada em locais com condições adequadas de biossegurança. Recomenda-se colher um fragmento de fígado de 1 cm3. Onde não existem condições adequadas para a necropsia, deve-se utilizar a colheita por agulha.

TRANSPORTE DE MATERIAL

O material (sangue ou tecidos) deve ser congelado e enviado ao laboratório de referência em container apropriado para transporte de material biológico NB3/NB4, que deverá ser solicitado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

TRATAMENTO

Não existe tratamento específico para a doença, sendo limitado às medidas de suporte com condições de terapia intensiva.

 Seguem links importantes:

 http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/197-secretaria-svs/14163-ebola-informe-tecnico

 http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/noticias-svs/14096-surto-pelo-virus-ebola-no-oeste-da-africa-situacao-atual-e-recomendacoes-do-ministerio-da-saude

 http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/noticias-svs/12524-ms-desmente-boatos-sobre-virus-ebola-no-brasil

 http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/08/1495989-governo-brasileiro-reforca-alerta-sobre-virus-ebola-para-hospitais.shtml

 http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/08/1495841-pacientes-com-ebola-submetidos-a-tratamento-experimental-tem-melhora.shtml

 http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/agosto/08/PROTOCOLO-DE-VIGIL–NCIA-E-MANEJO-DE-CASOS-SUSPEITOS-DE-DOEN–A-PELO-V–RUS-EBOLA—DVE—Vers–o-1—08ago2014.pdf

Alerta Global e Resposta (GAR OMS)_05_08_14 (V2)-2

Outbreak Table _ Ebola Hemorrhagic Fever _ CDC

Ebola-FactSheet-1

Mapa de Distribuição _ Ebola Febre Hemorrágica _ CDC

PROTOCOLO-DE-VIGIL–NCIA-E-MANEJO-DE-CASOS-SUSPEITOS-DE-DOEN–A-PELO-V–RUS-EBOLA—DVE—Vers–o-1—08ago2014

O Núcleo de Vigilância Hospitalar (NVH) do IFF, através da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH),  Comissão de Biossegurança e Núcleo Hospitalar de Epidemiologia (NHE) apresenta informações técnicas sobre a Febre Hemorrágica do Ebola para fins de orientações e ações de vigilância.

A Fiocruz informa que vem trabalhando juntamente com a SVS/MS e que está capacitada para fazer o diagnóstico do vírus  e dar a atenção necessária ao paciente, caso a infecção seja introduzida no Brasil. A unidade da Fundação que estará à frente de uma ação com o paciente é o Instituto Nacional de Infectologia (INI),  unidade hospitalar científica especializada em doenças infecciosas.

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